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Pesquisadores identificam desreguladores endócrinos em água mineral engarrafada

Águas

Desreguladores endócrinos podem ser encontrados na água mineral que bebemos.

Pesquisadores da Universidade Goethe, de Frankfurt, divulgaram recentemente um estudo que constata a presença de desreguladores endócrinos na água mineral engarrafada em embalagem plástica. A pesquisa usou amostras de água engarrafada na França, Alemanha e Itália. Das 18 águas analisadas, 11 delas (61,1%) apresentaram uma resposta estrogênica significativa no ensaio biológico.

Os chamados disruptores endócrinos (ou desreguladores, burladores, fraudadores), resumido pela sigla em inglês EDCs, não são venenos clássicos, eles interferem no sistema hormonal, sabotando as comunicações e alterando os mensageiros químicos que se movem, permanentemente, dentro do nosso corpo. Como resultado, estamos sujeitos a um conjunto de efeitos maléficos à saúde, o que inclui anormalidades sexuais em crianças e adultos, homens e mulheres. Nos homens, pesquisas mostram a redução drástica do número e mobilidade de espermatozoides, nos ultimos 50 anos.  Este é apenas um dos sinais  de que os EDcs  podem já ter cobrado um alto preço à humanidade.

Em seu artigo publicado na revista PLoS ONE , o resultado comprova que a embalagem PET é uma fonte de substância que age como estrogênio. Ainda segundo a pesquisa, a mesma água engarrafada em vidro apresentou 3x menos atividade estrogênica. Os resultados estão de acordo com estudos anteriores e indicam que a contaminação de água mineral engarrafada com desreguladores endócrinos é um fenômeno transnacional. Alguns compostos identificados (maleatos/fumaratos) são estruturalmente muito semelhante aos ftalatos plastificantes, com atividade anti-androgênica bem conhecidas. Isso mostra que, apesar da exposição potencialmente relevante, muitos químicos foram até agora ignorados pela comunidade científica e regulatória. Portanto, com estes resultados, os pesquisadores esperaram dar um novo impulso à identificação com efeito dirigido aos EDCs em bebidas, alimentos e produtos de consumo, ajudando a fornecer uma visão mais holística da exposição humana aos EDCs.

O bisfenol A é uma substância química notória, que até recentemente era encontrado na composição de mamadeiras plásticas. Ninguém sabe ainda que quantidades destas substâncias químicas disruptoras endócrinas são necessárias para que representem perigo para o ser humano. Os dados indicam que poderiam ser quantidades muito pequenas, se a contaminação ocorre antes do nascimento. No caso das dioxinas, estudos recentes têm demonstrado que a contaminação por ínfimas doses já é perigosa

Desreguladores endócrinos estão presentes em plásticos que são utilizados para armazenar alimentos ou água. O caminho do consumo passa pela escolha, compra, utilização e descarte. O final do caminho nem sempre para por aí.

Neste cenário, o ozônio novamente aparece como uma alternativa eficaz e ecologicamente correta para evitar o consumo destes químicos, uma vez que oxida os compostos presentes na água.

Fontes: Identification of Putative Steroid Receptor Antagonists in Bottled Water: Combining Bioassays and High-Resolution Mass Spectrometry. Department Aquatic Ecotoxicology, Faculty of Biological Sciences, Goethe University Frankfurt, Germany. Martin Wagner, et al.

Leia mais em:  A ameaça dos disruptores endócrinos

Campanha contra os desreguladores endócrinos

Deixe um comentário:

  1. bela reportagem .vida moderna e isso ai.mais,qual e a resposta para esse tipo de embalagem,vidro,pvc,ferro madeira,papel?
    as pessoas modernas
    querem respostas

    Por carlos - 13 de setembro de 2013
  2. Infelizmente não temos respostas “prontas” para as consequências do mundo moderno. Quanto a embalagem, acreditamos que vidro seja ainda a melhor solução. Investir em tratamentos ambientalmente apropriados, como a tecnologia de ozônio, é uma das melhores alternativas para o futuro.

    Por Leticia Philippi - 16 de setembro de 2013