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Frutas e Verduras com Agrotóxicos: existe alternativa?

Alimentos

maca toxicNão é achismo ou ativismo: o Brasil é um dos países que mais utilizam agrotóxicos na produção agrícola. É o que apontam vários estudos científicos ao longo das últimas décadas Há produtos banidos da Europa e até da China, que vêm sendo usados indiscriminadamente no país, em especial nos produtos destinados ao mercado interno, já que existem  barreiras aos produtos contaminados pelos produtos no mercado internacional.

Uma consequência cruel do alto consumo de agrotóxico no país foi muito bem documentada em 2011, numa pesquisa da Universidade Federal do Mato Grosso em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz: até mesmo o leite materno pode conter resíduos de agrotóxicos.

Diferente das exposições agudas, onde as pessoas se contaminam em seus ambientes de trabalho com efeitos conhecidos (irritação da pele, coceira, vômitos), as intoxicações crônicas podem afetar toda a população, pois são decorrentes da exposição múltipla aos agrotóxicos, isto é, da presença de resíduos de agrotóxicos em alimentos e no ambiente, geralmente em doses baixas. Os efeitos adversos decorrentes da exposição crônica aos agrotóxicos podem aparecer muito tempo após a exposição, dificultando a correlação com o agente. Dentre os efeitos associados à exposição crônica a ingredientes ativos de agrotóxicos podem ser citados infertilidade, impotência, abortos, malformações, neurotoxicidade, desregulação hormonal, efeitos sobre o sistema imunológico e câncer. Em março de 2015 a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) publicou a Monografia da IARC volume 112, na qual, após a avaliação da carcinogenicidade de cinco ingredientes ativos de agrotóxicos por uma equipe de pesquisadores de 11 países, incluindo o Brasil, classificou o herbicida glifosato e os inseticidas malationa e diazinona como prováveis agentes carcinogênicos para humanos (Grupo 2A) e os inseticidas tetraclorvinfós e parationa como possíveis agentes carcinogênicos para humanos (Grupo 2B). Destaca-se que a malationa e a diazinona e o glifosato são autorizados e amplamente usados no Brasil.

 Alimentos que apresentaram resíduos acima do recomendado. Valores se referem à porcentagem das amostras consideradas insatisfatórias.

Alimentos que apresentaram resíduos acima do recomendado. Valores se referem à porcentagem das amostras consideradas insatisfatórias.

Neste contexto, há uma necessidade de se estudar a dissipação de resíduos de agrotóxicos em alimentos em função da aplicação do produto comercial, bem como desenvolver estratégias para remoção ou redução de resíduos de agrotóxicos que permanecem nos alimentos, após a colheita.

Os tratamentos utilizando ozônio vêm sendo estudados como alternativa para descontaminação de alimentos, nos últimos anos, por apresentar uma série de vantagens como, por exemplo não deixar resíduos de sua redução, pois o oxigênio é inerte e gasoso e o alto potencial de oxidação do ozônio mesmo em baixas concentrações.

Diversas publicações sobre a remoção de contaminantes com ozônio são encontradas na literatura. As formas de uso do ozônio são normalmente a fumigação do gás nos alimentos ou a imersão dos alimentos em água saturada com o gás. Além de ser efetivo na remoção de contaminantes é desejável que o alimento mantenha suas propriedades físico-químicas após o tratamento com ozônio

Inúmeras pesquisas  comprovam que o tratamento com ÁGUA OZONIZADA para remoção de agrotóxicos em alimentos é eficiente.  Alguns dos alimentos avaliados foram:


applesMaçã:
lavagem das maçãs com água ozonizada a 0,25 mg L-1 por 15 min. Os níveis de resíduos de azinfós metílico, captana e cloridrato de formetanato nos frutos foram reduzidos em cerca de 75%, 72% e 46%, respectivamente (ONG et al., 1996). Outra pesquisa demonstrou que a imersão de maçãs em água ozonizada contendo O3 nas concentrações de 1 e 3 ppm por 30 min. Os resíduos de mancozebe diminuíram 56-97% com o tratamento com ozônio ( HWANG et al.,2001).

 Couve :couve3  imersão das hortaliças em água ozonizada (1,4 e 2,0 mg L-1) por 15 e 30 min e em duas temperaturas diferentes (14 e 24 °C). A lavagem com 1,4 mg L-1 de água ozonizada por 15 min removeu os resíduos dos agrotóxicos em 27-34%. A lavagem com maior concentração de ozônio dissolvido (2,0 mg L-1), aumentou a eficácia da remoção dos agrotóxicos para 30-54%. O aumento do tempo de lavagem para 30 min aumentou a remoção para 45-61% ( WU et al.,2007)

satrwberry

Alface, tomate cereja e morango: imersão dos frutos e hortaliças em água ozonizada (2,0 ppm) mantida por microbolhas. A remoção de resíduos de fenitrotiona aumentou com o aumento do tempo de tratamento e da concentração de ozônio através de um  borbulhamento contínuo. Houve uma redução de 55% dos resíduos em 5 min e 58% após 10 min. Nos tomates cereja e nos morangos, após 10 min de tratamento os resíduos foram reduzidos em 35% e 25%, respectivamente (IKEURA et al.,2011)

Lichilichiaa: imersão dos frutos em água ozonizada, nas concentrações de 2,2; 2,4; 3,4 e 3,2 mg. L-1 por 10, 20, 30 e 60 min, respectivamente. O tratamento com água ozonizada reduziu a concentração de clorpirifós nos frutos em 10,3% (WHANGCHAI et al.,2011)

Repolho bracelgaanco chinês e Acelga: Imersão das hortaliças em água borbulhada com duas concentrações de ozônio (250 ou 500 mg h-1) por 15 min. Quando se borbulhou ozônio a 250 mg h-1 por 15 min a remoção dos resíduos de clorfluazuron, clorotalonil e permetrina teve aumento de 10% em relação à lavagem sem ozônio. Quando a concentração de ozônio borbulhado foi aumentada para 500 mg h-1, as remoções foram melhoradas em 20% (CHEN et al., 2013)

 

Alguns estudos foram realizados com Fumigação de ozônio gasoso para remoção de agrotóxicos:


uvasUva:
alguns autores avaliaram a Fumigação de Ozônio em de uvas. Resíduos de fenexamida, ciprodinil, pirimetanil e piraclostrobina foram reduzidos em  68,5, 75,4, 83,7 e 100,0% respectivamente (Gabler et al. (2010). Outros pesquisadores também  fizeram fumigação de uvas com ozônio  e observaram  diminuição de resíduos para os agrotóxicos fenehexamida (~ 64%), ciprodinil (~ 38%) e o pirimetanil (~ 35%) (WALSE E KARACA,2011).

 

Lavar frutas e vegetais com ozônio não só desinfeta-os em segundos, contribuindo para aumentar a vida de prateleira do alimento, mas tem a vantagem de remover ou diminuir significativamente os resíduos de agrotóxicos.

 

Referências:

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES http://www1.inca.gov.br/inca/Arquivos/comunicacao/posicionamento_do_inca_sobre_os_agrotoxicos_06_abr_15.pdf

GABLER, F. M.; SMILANICK, J. L.; MANSOUR, M. F.; KARACA, H. Influence of fumigation with high concentrations of ozone gas on postharvest gray mold and fungicide residues on table grapes. Postharvest Biology and Technology, v. 55, n. 2, p. 85-90, 2010

HWANG, E. S.; CASH, J. N.; ZABIK, M. J. Postharvest treatments for the reduction of mancozeb in fresh apples. Journal of Agricultural and Food Chemistry, v. 49, n. 6, p. 3127-3132, 2001.

IKEURA, H.; KOBAYASHI, F.; TAMAKI, M. Removal of residual pesticide, fenitrothion, in vegetables by using ozone microbubbles generated by different methods. Journal of Food Engineering, v. 103, n. 3, p. 345-349, 2011a. KARACA, H.; VELIOGLU, Y. S. Ozone applications in fruit and vegetable processing. Food Reviews International, v. 23, n. 1, p. 91-106, 2007. KARACA, H.; WALSE, S. S.; SMILANICK, J. L. Effect of continuous 0.3 ?L/L gaseous ozone exposure on fungicide residues on table grape berries. Postharvest Biology and Technology, v. 64, n. 1, p. 154-159, 2012.

HELENO, Fernanda Fernandes, D.Sc., Universidade Federal de Viçosa, abril de 2013. Ozonização: uma estratégia para remoção de resíduos de agrotóxicos em alimentos.

ONG, K. C.; CASH, J. N.; ZABIK, M. J.; SIDDIQ, M.; JONES, A. L. Chlorine and ozone washes for pesticide removal from apples and processed apple sauce. Food Chemistry, v. 55, n. 2, p. 153-160, 1996.

WALSE, S. S.; KARACA, H. Remediation of fungicide residues on fresh produce by use of gaseous ozone. Environmental Science & Technology, v. 45, n. 16, p. 6961-6969, 2011.

WHANGCHAI, K.; UTHAIBUTRA, J.; PHIYANALINMAT, S.; PENGPHOL, S.; NOMURA, N. Effect of ozone treatment on the reduction of chlorpyrifos residues in fresh lychee fruits. Ozone: Science & Engineering, v. 33, p. 232- 235, 2011.

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  1. Ótima matéria, gostaria de continuar recebendo informações sobre Ozônio e poderiam me informar onde consigo legislação sobre o uso de ozônio no Brasil?
    Obrigado
    Luiz Martins

    Por Luiz Martins - 28 de Maio de 2015
  2. Prezado Luiz! Agradecemos pela mensagem, nos estimula a seguir escrevendo e divulgando.
    Quanto a legislação, fica pertinente a utilização, depende para qual será o uso do ozônio.
    Um abraço!

    Por Leticia Philippi - 28 de Maio de 2015
  3. Quanto mais conhecimentos forem divulgado melhor será o futuro da humanidade, a ozonização precisa ser mais divulgada. Parabéns !

    Por ivanildo barros lins - 14 de outubro de 2015
  4. Parabéns ótimo informação,gostaria de receber as novidades do mercado a respeito do ozonio

    Por Roseli - 7 de Janeiro de 2017
  5. Olá Roseli, agradecemos pelo seus comentários.
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    Um abraço!

    Por Leticia Philippi - 8 de Janeiro de 2017