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A tragédia de Mariana, os batons e sua saúde.

Diversos, Efluentes

Tecnologia de ozônio pode ser utilizada para oxidação de metais pesados.

mariana2A tragédia de Mariana, maior desastre ambiental de toda a história do Brasil, trouxe à tona a questão da contaminação ambiental e o perigo dos metais pesados para o ambiente e para a saúde humana.

Segundo o pesquisador da USP, Paulo Saldiva, os rejeitos da lama tóxica formarão um “tapete mortal” no fundo do Rio Doce e seus afluentes. Além disso, podem penetrar o solo e infiltrar no lençol freático, inviabilizando o plantio e o uso da água de poços.  Independentemente da divulgação de dados oficiais do teor de resíduos tóxicos, o assunto é relevante e merece ser mais bem estudado e divulgado.

Entre as substâncias tóxicas que podem estar associadas ao ferro nos rejeitos podem estar os metais chumbo, arsênico, cádmio e manganês.

Metais pesados e outras substâncias tóxicas presentes no solo podem inviabilizar a agricultura de forma ampla, não apenas à fertilidade. Paulo Saldiva, pesquisador da USP,  citou um exemplo típico do que pode acontecer para mostrar a extensão do problema:  “a cidade de Boston, nos Estados Unidos, começou a estimular as hortas comunitárias. Como é uma cidade antiga e os seus encanamentos eram de chumbo, era de se imaginar que houvesse algum teor de chumbo no solo de Boston. Mas as hortas nos quintais das casas mais antigas começaram a ser feitas sem que essa informação merecesse maior preocupação. Como o solo estava contaminado de fato, os problemas começaram a aparecer na década de 2000. Um estudo revelou, por exemplo, que as raízes de algumas verduras e legumes chegavam até a profundidade em que havia acúmulo do metal, que não é eliminado pelo organismo. As pessoas pensavam estar comendo algo saudável, mas na verdade era comida contaminada por metais pesados.”  Nas áreas afetadas em Minas, pode acontecer o mesmo.

Os metais pesados podem se acumular em todos os organismos que constituem a cadeia alimentar do homem. Em populações residentes em locais próximos a indústrias, mineradoras ou incineradores correm maiores riscos de contaminação.

Chumbo, o mercúrio, o cádmio, o cromo e o arsênio são metais que não existem naturalmente em nenhum organismo e não desempenham funções nutricionais ou bioquímicas em microrganismos, plantas ou animais.  Esses elementos alteram as estruturas celulares, as enzimas e substituem metais co-fatores de atividades enzimáticas.

De modo geral, seu acúmulo no organismo prejudica as funções neurológicas, o sistema imune e o funcionamento dos pulmões, rins e fígado. Estudos apontam danos específicos conforme o tipo de metal.

  • Mercúrio: atinge mais fortemente o cérebro, o coração, os rins e pulmões e o sistema imune.
  • Cádmio:  está associado às disfunções renais, doença pulmonar obstrutiva, câncer de pulmão e comprometimento ósseo (osteomalacia e osteoporose).
  • Manganês:  o excesso decorrente de exposições prolongadas pode causar rigidez muscular, tremores das mãos e fraqueza, problemas de memória, alucinações, doença de Parkinson, embolia pulmonar e bronquite.
  •  Arsênio: está ligado ao aparecimento de lesões e câncer de pele, bexiga e pulmão e doenças vasculares.
  • Chumbo: é altamente tóxico e  atinge diretamente o funcionamento dos rins, trato gastrointestinal, sistema reprodutivo e provoca lesões agudas ou crônicas do sistema nervoso, podendo induzir à redução do desenvolvimento cognitivo e do desempenho intelectual das crianças e aumentar a pressão sanguínea e as doenças cardiovasculares nos adultos.  A exposição ao chumbo é decorrente das atividades humanas, tais como queima de combustíveis fósseis, mineração e fabricação.  O chumbo é utilizado de muitas maneiras diferentes: usado para produzir baterias, munições, produtos de metal, como solda e tubagens, e os dispositivos de blindagem de raios-X. Hoje em dia as fontes mais comuns de exposição ao chumbo são tintas à base de chumbo, tubos de água em casas antigas, solo contaminado, bebendo água contaminada, em cosméticos, brinquedos e cerâmicas vitrificadas. A doença causada pela intoxicação por chumbo é denominada Saturnismo e afeta milhões de pessoas em todo o mundo, além de outras espécies como as aves.

batom-com-textura-gloss-14-765Uma pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia, com produtos fabricados nos Estados Unidos, revelou a maioria dos batons contém traços de metais tóxicos, como chumbo. Os pesquisadores detectaram presença de chumbo, cromo alumínio e outros cinco metais em 32 tipos de batons e gloss. Os produtos em questão são os mais encontrados em farmácias e lojas de departamento dos Estados Unidos.

Alguns metais pesados como o cromo, o cobre e o zinco, encontrados na natureza em solos, ar e água, além dos alimentos, são considerados como sendo microelementos essenciais ao metabolismo dos organismos vivos. Entretanto, o excesso ou carência desses elementos pode levar a distúrbios no organismo, e em casos extremos, até a morte.

É absolutamente imprescindível conhecer o teor dos metais pesados do solo antes de tomar medidas como abrir poços ou plantar alimentos em regiões contaminadas, como  no caso de Mariana. Para se ter uma ideia da dimensão deste assunto, um exemplo ocorreu em Bangladesh, na Índia, quando as pessoas estavam morrendo de fome e sede por causa desertificação. Isso motivou a Unicef e o Banco Mundial de Saúde a furar milhares de poços para obter água nos anos 1960 e 1970. O que ninguém sabia é que o solo de Bangladesh continha muito arsênico. A consequência foi que logo surgiram milhões de casos de arsenismo, insuficiência renal e câncer de pele.

toxic water

Tão imprescindível quanto conhecer o teor de metais pesados é tratar o efluente que o contém.  O interesse no uso do ozônio para tratamento de efluentes deve-se ao seu alto potencial de oxidação (somente excedido pelo flúor e radicais hidroxila), aliado a outras características relevantes, como o fato de sua pressão parcial ser bastante inferior à do gás oxigênio (dissolve mais facilmente que o oxigênio na água) e não é fonte de poluição, pois utiliza como insumo de fabricação o ar atmosférico.

Outros oxidantes normalmente empregados costumam levar à formação de sub-produtos que podem ser inclusive mais tóxicos que os compostos poluentes originais. Neste caso, evidencia-se a vantagem do ozônio, pois seu produto preferencial de degradação é o oxigênio, um produto não poluente e indispensável para as atividades biológicas aeróbias dos ecossistemas aquáticos.

Como efeito da utilização do ozônio no tratamento de efluentes, são destruídos compostos por desassociações oxidante (quebra de cadeias); reduz metais às suas formas insolúveis (normalização); solidifica (mineraliza) compostos orgânicos dissolvidos, causando a sua precipitação; eleva o potencial redox da água, causando microfloculação dos patogênicos e pirogênicos destruídos, que podem ser removidos por filtração.

oxidation

Neste sentido, a utilização da tecnologia de ozônio tem um grande potencial para ser empregado eficientemente na remediação de matrizes reais e complexas, apresentando-se como uma alternativa promissora para minimizar os efeitos deletérios das atividades causadas pela ação exploratória do homem na natureza.

 

Referências:

VIRGA, Rossana Helena Pitta; GERALDO, Luiz Paulo; SANTOS, Fabiana Henrique dos. Avaliação de contaminação por metais pesados em amostras de siris azuis.Ciênc. Tecnol. Aliment.,  Campinas ,  v. 27, n. 4, p. 779-785, Dec.  2007

MAHMOUD, Amira; FREIRE, Renato S.. Métodos emergentes para aumentar a eficiência do ozônio no tratamento de águas contaminadas. Quím. Nova,  São Paulo ,  v. 30, n. 1, p. 198-205, Feb.  2007 .

http://www1.folha.uol.com.br/ .Nível de metais em batom é maior do que se pensava. Deborah Blum.

RECKHOW, David A.; KNOCKE; WILLIAM R. Oxidation Of Iron And Manganese By Ozone. OZONE SCIENCE & ENGINEERING, Vol. 13, pp. 675-695.

SALDIVA, Paulo. Diretor do Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, membro do Comitê de Qualidade do ar da Organização Mundial de Saúde e pesquisador do Departamento de Saúde Ambiental da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos,  em:  Saude!Brasileiros, “Mariana é o maior desastre ambiental do Brasil” http://brasileiros.com.br.

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  1. Esclarecedor o artigo e propício ao momento. Infelizmente, precisamos primeiro das tragédias para nos organizarmos adequadamente. Não conseguimos perceber, a um nível significativo da população, aspectos fundamentais do nosso funcionamento –
    interação e interdependência.
    Remeto este de uma região ótima para viver, que pode se tornar, como Mariana, imprópria à vida. A região de Anitápolis, cerca de 100km de Florianópolis, tem um vulcão, com cerca de 130 milhões de anos, que pela sua ação promoveu a formação de um domo d’água, mais rico do estado. Acontece que toda esta riqueza incalculável, esta seriamente ameaçada pois, querem instalar, em uma área de preservação permanente, um projeto que usará 1700 ha de área, para extração de fosfato que está na chaminé do vulcão. Produção de ácido sulfúrico e duas lagoas com 85 m de altura, de terra compactada, para contenção dos rejeitos. Precisamos de ajuda.

    Agradecido,

    LuizRGCezar (48)3653.1127
    9161.2727

    Por Luiz Roberto Guaragni Cezar - 4 de dezembro de 2015
  2. Matéria nota 10.

    Por Bento Da Silva - 4 de dezembro de 2015
  3. Sensacional! Que demais os tópicos do artigo! Adorei o Blog! 😀

    Por Amanda Polidoro - 2 de janeiro de 2016
  4. Obrigada pelo comentário. Nos estimula a continuar escrevendo :)

    Por Leticia Philippi - 8 de janeiro de 2016
  5. Obrigada! Continue nos acompanhando!

    Por Leticia Philippi - 8 de janeiro de 2016