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Asami
     
  03/03/2006 - Brasil ganha prêmio por estudo de câncer  
 

A pesquisa do genoma no Brasil volta a ser motivo de reconhecimento internacional. Agora foi a vez do melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele.

Durante a 5ª Conferência Mundial sobre Melanoma, que aconteceu este mês na Itália, o trabalho do cirurgião plástico Rogério Izar Neves, chefe do Departamento de Oncologia Cutânea do Hospital do Câncer, em São Paulo, recebeu o primeiro prêmio, entre mais de 400 concorrentes.

"Queremos descobrir quais genes estão agindo nos vários tipos de melanoma", disse Neves à Folha. Segundo ele, existem diferenças no comportamento dos tumores. O melanoma do couro cabeludo, por exemplo, é mais agressivo do que o da perna.

Além disso, os cientistas suspeitam da existência de um gene associado à metástase, quando células cancerosas se desprendem do tumor original e migram para outras partes do corpo, dando origem a tumores secundários.

Descobrir quais genes estão "guiando" esses processos é um dos objetivos do trabalho desenvolvido no Hospital do Câncer.

Neves procura também identificar marcadores moleculares ligados ao melanoma. Isto é, sequências de DNA que, quando presentes no paciente, possam indicar a possibilidade de surgimento do tumor ou o tipo de comportamento que ele possa vir a ter. "Os marcadores poderão também apontar qual a forma de tratamento mais eficiente para combater um determinado tipo de melanoma", explica Neves.

A estratégia utilizada pela equipe do Hospital do Câncer consiste na análise da expressão dos genes, descobrindo aqueles que estão mais ativos no tumor. Para isso, os pesquisadores analisam o RNA das células cancerosas, pois ele é a molécula mensageira responsável por levar a informação contida no DNA para o citoplasma da célula.

Peso-pesado

O estudo apresentado por Neves derrotou concorrentes de peso, como a Universidade Johns Hopkins e o Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, instituições tradicionais dos EUA na pesquisa sobre o câncer.

"Estima-se que existam 100 mil casos novos de câncer no país todo ano. Desse total, 5% são melanomas", afirma Neves.

Apesar de estar entre os fatores de risco a exposição excessiva à radiação ultravioleta, pessoas com um histórico familiar de câncer de pele têm mais chance de desenvolver a doença. Portanto, é certo que existem componentes genéticos atuantes. Que, no entanto, ainda não foram identificados. É deles que Neves está atrás.

 
    Fonte: Terra